As ações mais recomendadas pelos analistas para comprar em agosto

Mesmo após o quarto mês seguido de alta do Ibovespa no ano, analistas começam agosto ainda otimistas com o desempenho da renda variável no Brasil, especialmente por conta do ambiente de juros baixos sustentando o interesse por ações e outros ativos de maior risco.

A cautela, contudo, não deixa de estar presente, com o mercado de olho no noticiário referente à epidemia de coronavírus e nos dados macroeconômicos divulgados, que vêm mostrando os reflexos da crise em diferentes países.

Matheus Soares, analista na Rico Investimentos, chama atenção para o bimestre historicamente ruim para as bolsas americanas, entre agosto e setembro. O índice S&P 500 teria registrado seu pior desempenho em comparação com outros bimestres em todos os anos desde 1985, segundo levantamento do Goldman Sachs.

Há ainda de se atentar às eleições presidenciais nos Estados Unidos e a novas tensões entre o país e a China.

De toda forma, a avaliação doméstica é que o cenário de Selic nas mínimas históricas e a retomada dos debates sobre as reformas estruturais favorecem o aumento de recursos para a Bolsa, com retomada dos IPOs e operações de follow-on. Como ponto de atenção, o analista destaca que o Ibovespa subiu rapidamente depois de março e que é preciso analisar ainda melhor os papéis antes de incluí-los nos portfólios.

Segundo Soares, ao fazer essa análise, o investidor deve refletir sobre quais são os ativos que se beneficiam do momento atual, de maior digitalização. Com um olhar mais voltado para o próximo ano, dadas as distorções provocadas pela crise, o investidor precisa ter clara a visão de crescimento para a companhia, se a relação entre preço e lucro da empresa está muito longe dos pares e, se estiver elevada, as razões que justificam o descolamento.

Uma eventual correção em agosto, contudo, pode ser fonte para novas aquisições. “Continuamos bem investidos, mas preferimos montar um caixa para fazer uma reserva de oportunidade. Se tiver correção, vamos aproveitar.”

As mais recomendadas

Levantamento feito pelo InfoMoney com as recomendações de 12 corretoras mostra que, assim como no último mês, as preferências recaem sobre as blue chips Vale e Petrobras, bem como sobre os papéis da Bolsa brasileira, B3, e do Banco do Brasil.

A única mudança do mês ficou por conta da saída de JBS e da entrada de Via Varejo, que se beneficia de um avanço no segmento do e-commerce em meio à pandemia. O processo de digitalização da companhia e o aumento de liquidez de curto prazo após o follow-on também são citados por analistas.

Segundo Soares, o segmento de vendas online no Brasil ainda é pouco penetrado no varejo e tem grande potencial para crescimento. “A empresa que oferecer a melhor logística vai sair vencedora”, diz.

Na Rico, a preferência é por Magazine Luiza. Ele conta que o setor varejista deve continuar bastante em evidência na Bolsa e ganhar participação no portfólio do investidor, sempre com foco no longo prazo.

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A carteira de ações compilada pelo InfoMoney é divulgada no início de cada mês e conta com os cinco nomes mais recomendados por 12 casas de análise consultadas. O número de indicações pode ser maior, se houver empate.

Confira a seguir as ações mais recomendadas para agosto, o número de indicações e seu desempenho no ano:

Empresa Ticker Número de recomendações* Retorno em 2020**
Vale VALE3 9 +13,90%
B3 B3SA3 8 +51,73%
Petrobras PETR4 7 -26,44%
Banco do Brasil BBAS3 6 -35,53%
Via Varejo VVAR3 5 +74,75%
Ibovespa -11,01%
*Indicações compiladas das carteiras de ações de Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Necton, Rico, Santander Corretora, Socopa e XP Investimentos.
** até 31/07/2020
Fonte: Economatica

Vale (VALE3)

Assim como em julho, os papéis da Vale são os preferidos dos analistas neste mês, com nove recomendações.

Entre as principais justificativas para a escolha, o BTG Pactual vê potencial de valorização das ações da mineradora por considerá-las “inegavelmente baratas em qualquer métrica”.

A avaliação é de que a redução do risco da empresa deverá acontecer com o retorno da política de dividendos, anunciado na semana passada.

Além disso, uma forte recuperação nos volumes, custos decrescentes e uma melhora na percepção na questão ESG, dado o foco maior da administração no tema desde o episódio de Brumadinho, devem beneficiar a companhia, diz o BTG, em relatório.

Para a Santander Corretora, a volta da política de remuneração aos acionistas, que estava suspensa desde janeiro de 2019, pode indicar maior confiança da empresa nas operações e a redução das incertezas nos negócios em que atua.

Já o time de análise da Necton destaca o início de negociações para a venda de sua participação em operações de níquel e cobalto na ilha de Nova Caledônia, no Pacífico, com a empresa australiana New Century Resources (NCZ).

“Com a venda deste ativo, a companhia passa a manter maior foco nas operações core (minério de ferro) e mais rentáveis da Vale, reduzindo a participação das vendas de níquel e cobalto no mix de produtos”, escreve a Necton.

B3 (B3SA3)

O ambiente de juros baixos impulsionando a participação crescente de investidores pessoas físicas na renda variável deve se traduzir na valorização das ações da B3. Essa é avaliação da Ágora, que incluiu os papéis da Bolsa brasileira em sua carteira recomendada deste mês.

Segundo os analistas, a demanda aquecida por novas ações atende ainda a uma procura reprimida de candidatos de IPOs, o que deve fazer com que mais empresas de setores diversos abram capital na Bolsa, melhorando o “mix” de mercado.

Para agosto, B3SA3 também faz parte de outras sete carteiras, como a da Guide, que destaca a diversificação da receita da B3, com fluxo resiliente, serviços completos de trading, clearing, liquidação, custódia e registro, bem como um posicionamento dominante em derivativos, ações, câmbio, renda fixa e produtos de balcão.

Petrobras (PETR4)

Com sete menções, as ações preferenciais da Petrobras têm entre suas recomendações a da Ágora.

A avaliação da corretora é que o pior momento em termos de impacto da Covid-19 ficou concentrado no resultado do segundo trimestre e, a partir de agora, as ações devem reagir aos fundamentos globais de oferta e demanda e à curva dos preços futuros de petróleo.

Segundo os analistas da casa, as ações da Petrobras estão negociadas com desconto, com múltiplos abaixo de seus principais pares externos.

Também presente na carteira do BTG Pactual, os papéis da petroleira possuem, de acordo com o time de análise da casa, uma relação entre risco e retorno muito atraente, com investidores mais atentos neste trimestre ao processo de desalavancagem e à redução de riscos da companhia.

Além disso, o foco da Petrobras em projetos de alto retorno na área do pré-sal pode abrir caminho para “lucros sustentáveis a longo prazo”, escreve o banco.

Banco do Brasil (BBAS3)

Figurinha repetida na seleção compilada mensalmente pelo InfoMoney, Banco do Brasil teve seis indicações para agosto.

A empresa esteve no radar do mercado nas últimas semanas após o anúncio de renúncia do presidente da instituição Rubem de Freitas Novaes. Segundo fontes do setor financeiro, o escolhido para substituí-lo será André Brandão.

Em relatório, a Santander Corretora diz ter uma visão positiva para os grandes bancos e destaca a possibilidade de ganho de participação de mercado por parte do BB em um ambiente de spreads atrativos, retomada da economia e com decisões favoráveis ao setor nos projetos relacionados a tributação e taxas de juros.

Já o time de análise da Elite assinala que o protagonismo do banco na concessão de créditos, sendo uma estatal e com exposição a linhas de crédito rurais – setor pouco impactado pela crise –, pode amenizar as consequências da pandemia. Os analistas pontuam ainda os múltiplos atraentes do BB em relação aos pares.

Via Varejo (VVAR3)

Com valorização de 27,5% em julho, os papéis de Via Varejo são novidade e voltam a compor a carteira compilada pelo InfoMoney após mais de um ano ausente das principais recomendações.

De acordo com a Guide, que incluiu a companhia em sua seleção recomendada para agosto, a operação de follow on, realizada em junho no valor de R$ 4,45 bilhões, a capitalização via debêntures de R$ 1,5 bilhão e o alongamento das dívidas de curto prazo com fornecedores devem gerar a solidez financeira necessária para que a Via Varejo amplie sua capacidade de atuação no setor.

Ainda segundo os analistas, a aquisição do Banqi, em maio, também auxilia o posicionamento da empresa no processo de digitalização, ampliando a capacidade em desenvolver também serviços financeiros online, via carnês e, posteriormente, utilizando a ampla base de clientes das companhias da Via Varejo para integralização.

A plataforma de e-commerce também é novidade na carteira da XP que, além de destacar a recente oferta subsequente de ações da companhia, afirma que a empresa tem conseguido manter suas vendas totais relativamente estáveis no segundo trimestre em relação ao ano anterior, mesmo com o fechamento das lojas.

“No futuro, esperamos que a empresa apresente um aumento médio de vendas online (GMV) de 20% ao ano entre 2020 e 2025, mantendo uma participação no mercado de e-commerce relativamente estável em cerca de 12%”, escreve o time de análise da XP, em relatório.

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